Se os homens fossem racionais em sua conduta, isto é, se eles agissem da forma mais provável a lhes trazer os fins que deliberadamente desejam, a inteligência seria suficiente para tornar o mundo quase um paraíso. No essencial, o que é no longo prazo vantajoso para um homem também é vantajoso para outro. Mas os homens são movidos por paixões que distorcem o seu ponto de vista; sentindo uma pulsão de ferir os outros, eles se convencem de que é do seu interesse fazê-lo. Eles não vão, portanto, agir da forma que é de seu próprio interesse, a menos que eles sejam movidos por impulsos generosos que os tornam indiferentes ao seu próprio interesse. É por isso que o coração é tão importante quanto a razão. Por "coração'' quero designar aqui a soma total dos impulsos bondosos. Onde existam, a ciência ajudar-los-á a serem eficazes; onde estão ausentes, a ciência só tornará os homens mais inteligentemente diabólicos.
ICARUS or The Future of Science
by Bertrand Russell 1924.
.: dado, informação, conhecimento ...
mas só o amor iluminando a razão e a razão conduzindo o amor, podem nos trazer alguma sabedoria... ilusão de filósofo.
Minha questão é saber como o ser humano pode viver melhor, e isso só a filosofia é capaz de responder...
"Como os gregos, nós hoje achamos que uma vida mortal bem-sucedida é melhor que ter uma imortalidade fracassada, uma vida infinita e sem sentido. Buscamos uma vida boa para quem aceita lucidamente a morte sem a ajuda de uma força superior." (Luc Ferry)
"Como os gregos, nós hoje achamos que uma vida mortal bem-sucedida é melhor que ter uma imortalidade fracassada, uma vida infinita e sem sentido. Buscamos uma vida boa para quem aceita lucidamente a morte sem a ajuda de uma força superior." (Luc Ferry)
quarta-feira, 24 de abril de 2013
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Um encontro cristão é apenas um encontro social?
Na homilia de Dom Christian Lépine, arcebispo de Montreal, pode-se ouvir que a Igreja tem por missão estar lá onde está o sofrimento, mas tem também a missão de levar a palavra de Jesus Cristo ao mundo.
Segundo Dom Christian, quando se leva a compaixão é mais fácil porque há um ressonância imediata que responde a uma situação de sofrimento. Quando leva-se a palavra de Cristo é mais difícil pois está-se, por assim dizer, no domínio do “discurso”.
É bom que experiência e palavra andem juntas, mas uma é incapaz de demonstrar a outra. São irredutíveis uma à outra, como a prática não é redutível à teoria, nem o valor à verdade, ou o coração à razão.
Isso ajuda na reflexão sobre a natureza do encontro cristão. Obviamente, todo encontro cristão é um encontro social, mas nem todo encontro social é um encontro cristão. Vem a pergunta: em quê um encontro cristão seria mais específico que um encontro social?
Como diz Dom Christian "a dinâmica da fé é mais do que uma mensagem... é uma palavra, mas uma palavra viva, é uma presença, uma presença que nos é oferecida sempre no seio da comunidade".
Nesse sentido um encontro cristão é bem mais do que um encontro social, exatamente porque "a fé é um encontro pessoal com Jesus Cristo" (Benoit XVI).
Como se depreende da homilia, no vídeo, a fé é um encontro pessoal com Jesus Cristo aberto a todo fiel e a todo cristão: "[...]não há alguns abençoados com vocação especial que são chamados ao encontro pessoal com Jesus Cristo, que ouviram como que uma mensagem que lhes foi entregue, e todos os outros que a ela devem aderir [...]".
Por isso acredito que cada um descobrirá para sí o que é um encontro cristão. Ninguém pode dizer o que ele é de fato. Experienciando um tal encontro cada um é chamado a descobrir em seu íntimo o que é esse encontro pessoal com Jesus.
Para muitos a fé será, antes de qualquer outro mistério, fidelidade aos valores cristãos.
Segundo Dom Christian, quando se leva a compaixão é mais fácil porque há um ressonância imediata que responde a uma situação de sofrimento. Quando leva-se a palavra de Cristo é mais difícil pois está-se, por assim dizer, no domínio do “discurso”.
É bom que experiência e palavra andem juntas, mas uma é incapaz de demonstrar a outra. São irredutíveis uma à outra, como a prática não é redutível à teoria, nem o valor à verdade, ou o coração à razão.
Isso ajuda na reflexão sobre a natureza do encontro cristão. Obviamente, todo encontro cristão é um encontro social, mas nem todo encontro social é um encontro cristão. Vem a pergunta: em quê um encontro cristão seria mais específico que um encontro social?
Como diz Dom Christian "a dinâmica da fé é mais do que uma mensagem... é uma palavra, mas uma palavra viva, é uma presença, uma presença que nos é oferecida sempre no seio da comunidade".
Nesse sentido um encontro cristão é bem mais do que um encontro social, exatamente porque "a fé é um encontro pessoal com Jesus Cristo" (Benoit XVI).
Como se depreende da homilia, no vídeo, a fé é um encontro pessoal com Jesus Cristo aberto a todo fiel e a todo cristão: "[...]não há alguns abençoados com vocação especial que são chamados ao encontro pessoal com Jesus Cristo, que ouviram como que uma mensagem que lhes foi entregue, e todos os outros que a ela devem aderir [...]".
Por isso acredito que cada um descobrirá para sí o que é um encontro cristão. Ninguém pode dizer o que ele é de fato. Experienciando um tal encontro cada um é chamado a descobrir em seu íntimo o que é esse encontro pessoal com Jesus.
Para muitos a fé será, antes de qualquer outro mistério, fidelidade aos valores cristãos.
segunda-feira, 1 de abril de 2013
Ética e Ecologia desafios do século XXI - Desafios.
A ética, por Leonardo Boff
sábado, 16 de março de 2013
Very Simple Reflections About the Importance of the Information
As we can see in this video, information is at the beginning and at the end of everything:
http://www.youtube.com/watch?v=bow4nnh1Wv0 (go to this point: 1:08:30)
The panelists agree that the universe is a sort of information generator.
Then if information is so central to everything, can I use information to do anything I want (or to achieve any goal I desire)? To become a very rich man, for example (in terms of money)?
Let's assume that I could pay the maximum attention to all information in the Universe (I would therefore be a omniscient being).
The answer could be: in theory yes, but there are limitations inherent to our human condition that prevents us from accessing that information. Limitations of all kinds: our desire, rationality, form, perception, persistence etc.
[One interesting thing is that I put "desire" as the first drive. That could mean that it is enough to desire something to have it happen (self-help would be a reality!?)].
Thinking in terms of legal entities, a more correct answer could be: it simply means that if one does not pay attention to the maximum information possible, the competitors will, and then they will be more successful, regarding goals.
In summary, I think that in the past, when we didn't have all the information we have today, the information itself was less important. Because very few people had it available anyway. Now that almost everyone can have the information they want or need, not having access to it is something that becomes very problematic.
domingo, 10 de março de 2013
Sandra Elflein canta "Sehnsucht" (saudade), poema de Schiller
Eu poderia deste sombrio vale partir,
Onde a névoa paira fortemente,
Planar para alguma esfera mais feliz,
Ah! quão feliz eu seria!
Colinas distantes a encantar minha visão,
Sempre jovem e sempre justo;
Para aqueles montes eu voaria
Se tivesse asas para escalar o ar.
Harmonias meu ouvido assaltam,
Ondas que respiram uma calma celestial;
E o vento suavemente-suspirando
Cumprimenta-me com o seu bálsamo perfumado.
Espiando os caramanchões assombreados,
Frutos dourados a exibir seus encantos.
E essas flores docemente-florescendo
Nunca do frio inverno se tornam presas.
Em você interminável sol brilhante,
Oh! Que felicidade 'para se habitar!
Como a brisa em altura ali
Deve o coração com arrebatamento inchar!
No entanto, o fluxo que governa meu caminho
Verifica-me com seu olhar severo de raiva,
Enquanto suas ondas, em furor crescente,
Pesam meu espírito cansado para baixo.
Veja - a barca se aproximando,
Mas, infelizmente, o piloto não!
Entre corajosamente - medo porque?
Inspiração enche as velas
Fé e coragem faça-as tuas próprias, -
Deuses nunca emprestam uma mão amiga;
'Então por puro poder da magia
Tu podes alcançar a terra mágica!
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Epicuro: um olhar sobre o ateísmo tranquilo do filósofo do Jardim.
[Nb. propriedade intelectual: adaptado do texto original que se encontra aqui.]
"Epicuro, ele mesmo, não era ateu. Nem poderia ser. Ele não negava os deuses. Dizia apenas que os deuses não tinham importância na vida dos humanos, que se eles (os deuses) existissem, seria em outro plano, sem nenhuma relação com a terra e com quem vive nela. Por que então um olhar sobre o “ateísmo” tranqüilo de Epicuro se ele mesmo não era um ateu?
O ateísmo tem sido muito debatido nos últimos anos [...]. Depois do livro “Deus, um delírio” de Richard Dawkins, esse entrave entre os ateus e os religiosos ficou mais comum do que nunca. Entretanto o post de hoje não é pra falar de um ateísmo militante, senão para tratar de uma questão de libertação e paz individual, um ateísmo tranquilo.
Epicuro, assim como outros filósofos influenciados pelo atomismo de Demócrito, propõe o contrário do que propõe o idealismo de Platão. Para Epicuro não existe dualismo, ou seja, não há separação entre alma e corpo. A alma é o corpo e vice-versa. Para ele, toda a verdade reside na carne, ou seja, nas sensações e nas afecções. Ainda contrariando Platão, Epicuro então sugere que não há universo invisível, além-mundos idealizados e nada além dos átomos da matéria.
Como dissemos no primeiro parágrafo, por uma questão criteriosa do sentido da palavra ateu, Epicuro não pode ser considerado um negador dos deuses, já que ele admite a possibilidade de eles existirem em algum lugar nos cosmos. Entretanto seus ensinamentos são um convite direto ao fim dos principais temores que atormentam o pensamento humano e, interpretativamente, a um ateísmo tranqüilo, desprovido de função militante. Seria mais ou menos assim: não vou perder tempo tentando provar que os deuses definitivamente não existem; há coisas mais importantes para serem refletidas e analisadas antes disso, apenas deixemos os deuses de lado.
Epicuro entende que muitos temores se devem aos deuses; prováveis punições, julgamentos, castigos, pedidos não atendidos que viram paranóia como: pedi algo a deus e não fui agraciado; será que fiz algo errado? Pequei? Estou sendo punido? O que me espera quando eu morrer? Daí surgem os diversos tipos de recalques, paranóias, psicoses e outras doenças que geram desprazeres, e portanto um grande mal para Epicuro. Sem contar que os temores por si só impedem o homem de desfrutar a ataraxia proposta por ele, ou seja, o estado de tranqüilidade. Pois então deixemos os deuses de lado; não há nada a temer em relação aos deuses. E metade dos nossos temores vai embora.
A outra metade dos temores é, segundo Epicuro, o temor da morte. Em sua receita terapêutica infalível até hoje, ele esclarece: se eu estou presente, a morte não está. Se a morte está presente, eu não estou. Ou seja, tudo reside nas sensações, se eu estou morto eu não tenho consciência, não tenho mais sensações; não vou desejar estar vivo e nem vou sentir medo, não vou sentir nada; não vou saber que estou morto.
Qual a razão então em sofrer antecipadamente por alguma coisa que eu não vou sentir? A única coisa que pode fazer sofrer é a idéia de que fazemos da morte enquanto vivos. A própria morte, em si, não pode fazer sofrer, nunca a encontramos.
Eliminando essas duas metades que compõem os maiores temores que podem visitar o pensamento humano, o caminho fica livre para a possibilidade de viver uma vida de prazeres. (comedidos, calculados, conscientes, éticos – não cometamos o erro de entender, como seus inimigos sempre quiseram caricaturar, o epicurismo como algo desvirtuoso e vulgar)
Podemos enxergar então em Epicuro um “ateísmo tranqüilo” (expressão proposta por Gilles Deleuze em seu livro Péricles e Verdi), um ateísmo onde o principal motor não é o embate com os religiosos, a denúncia das atrocidades cometidas pelas religiões em nome de um deus e etc. Em Epicuro o ateísmo é uma resposta dura ao idealismo de Platão e é necessário para libertar o homem dos principais temores e deixar o caminho aberto para a fruição dos prazeres."
“Platão inventa uma mitologia útil para manter os homens no medo, na angústia e no terror. Esses medos e temores fornecem uma humanidade maleável, medrosa, fácil de conduzir. Alienada, por certo, mas dócil, disponível para a obediência, a submissão e a renúncia a si mesma. Epicuro não quer homens assim: ele os quer autônomos, curados das superstições, libertos.”
Michel Onfray em seu ‘Contra-História da Filosofia’
Michel Onfray em seu ‘Contra-História da Filosofia’
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segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Hominescência
Michel Serres nos oferece a palavra hominescência para dizer que a humanidade vive, desde a segunda metade do século 20, uma grande mudança na sua relação com o tempo e com a morte.
O termo tem como desinência "escência" (incoativa*), que desígna o início frágil de um processo; por exemplo de fervura, de iluminação, de floração: efervecência, luminescência, florescência, incandescência, senescência ou adolescência.
Percebe-se nestas palavras uma dimensão de "vai-e-vem", de crescimento/decaimento, brilho/escurecimento, avanço/regressão. A hominescência seria um processo que, por afastamentos repetidos de um extremo a outro, vai renovando a hominização.
Não está claro o que ela vai produzir: uma humanidade, uma outra humanidade ou outros graus de humanidade. A hominescência é concentrada em um período reduzido de tempo: algumas décadas... em uma escala (de hominização) que pode ser contada em milhares de anos ou milênios.
1. Primeiro ciclo: o homem cria ferramentas externas e técnicas que estendem seus órgãos. Alguns animais são domesticados e o homem vive com eles.
2. Segundo ciclo: o corpo se globaliza, a Terra entra na história. Constituindo um novo habitat, o homem produz a natureza.
3. Terceiro ciclo: o homem perde suas faculdades, que são terceirizadas para dispositivos: memória, voz, conhecimento. A ciência e a tecnologia tornam-se capazes de mudar o seu corpo (que se torna visível e glorioso), e melhorar a sua saúde. Inventam-se objetos mundiais (Internet, genoma, a bomba atômica), ferramentas paradoxais que moldam o seu mundo, lhes dão poder de decisão sobre sua própria emergência e/ou morte, mas que ele não controla.
A história se faz evolução. Ela procura um novo equilíbrio.
Definindo os limites do humano, a hominescência os move. Ela exige um debate bioético que redefine e reconstrói a humanidade.
*Adj. Que começa; inicial; inceptivo. Diz-se dos verbos que denotam o começo de uma ação, como envelhecer, adormecer etc.
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