Queria dar uma palavrinha sobre ontologias e seus espaços de aplicação. Me refiro, de maneira bem geral, aos espaços público, social e privado e não à domínios específicos circunscritos nesses espaços.
Além disso, as ontologias a que me refiro aqui são, mais especificamente, modelos conceituais concebidos graças a conhecimentos que estão na confluência das áreas disciplinares da Filosofia, Ciência da Computação, Ciência da Informação e da Linguística. Na medida em que ontologias nos ajudam a refletir mais profundamente sobre a modelagem conceitual do mundo real, elas estão sendo desenvolvidas em todos os domínios da atividade humana onde se aplica a tecnologia da informação. Elas são ferramenta útil para dirigir e orientar o esforço de modelagem do real nos três espaços principais onde se dá a existência humana: no trabalho, na ciência e na economia, existimos no espaço social, por exemplo. Mas há ainda outros dois espaços, o espaço público e o espaço privado.
O espaço privado, que no mundo real é representado pela família, é onde o ser humano encontra descanso e cuida de sua sobrevivência no sentido mais natural de sua existência no mundo. Trata-se de um espaço hoje muito confundido com o espaço social. As ontologias encontram interessantes aplicações nesse espaço também, vide as redes sociais, facebook, twitter etc.
Para além dos espaços social e privado, há também o espaço público, tão caro aos gregos -- quando o indivíduo não era mais importante do que a coletividade -- e que vem se enfraquecendo desde a era moderna com a paulatina e gradual transformação da "polis" em "metro-polis". Na metrópolis, o espaço público se confunde com o espaço social (sem o cuidado que têm as cidades européias, algumas milenares, as nossas cidades são infelizmente organizadas para a produção e o fluxo de mercadorias e não para o encontro dos cidadãos).
Onde estaria o espaço público hoje, na contemporânea pós-modernidade?
Que desiludida ideia fazemos da política, exercício realizado na pólis?
O espaço público é por excelência o espaço da política, uma ordem acima da ordem da economia e da ciência. É no espaço público que o homem constroi a sua humanidade, mais do que no espaço social e privado. É nesse espaço que o homem excede a sua natureza, no sentido de ir além de sua mera reprodução e sobrevivência, e projeta no espaço comum, comunitário, público, a força da sua expressão, da sua vontade, da sua humanidade.
Pois quero notar que estão neste espaço público -- esquecido hoje, já que sobrepujado por uma vida cada vez mais individualizada -- interessantes aplicações de ontologias. Penso principalmente nas aplicações de dados abertos vinculados, governo aberto, governo eletrônico, e também nos WikiLeaks que se multiplicam pela internet etc. Aqui, pesquisadores de ontologia necessitam do socorro de disciplinas, para além daquelas que citei no início, como a Sociologia e a História e outras das humanidades.
Queria concluir imaginando que, na tarefa sem fim de modelar o real, há muito o que fazer ainda em cada um desses espaços: social, público e privado. Muitas aplicações virtuais serão desenvolvidas com apoio das ontologias. Cuidemos apenas para que no desenvolvimento e uso dessas aplicações estejamos atentos e não confundamos, como ocorre hoje, os espaços público, social e privado. São espaços bem diferentes, complementares e necessários.
mas só o coração iluminando a razão e a razão conduzindo o coração, podem nos trazer alguma sabedoria... ilusão de filósofo.
Minha questão é saber como o ser humano pode viver melhor, e isso só a filosofia é capaz de responder...
"Como os gregos, nós hoje achamos que uma vida mortal bem-sucedida é melhor que ter uma imortalidade fracassada, uma vida infinita e sem sentido. Buscamos uma vida boa para quem aceita lucidamente a morte sem a ajuda de uma força superior." (Luc Ferry)
"Como os gregos, nós hoje achamos que uma vida mortal bem-sucedida é melhor que ter uma imortalidade fracassada, uma vida infinita e sem sentido. Buscamos uma vida boa para quem aceita lucidamente a morte sem a ajuda de uma força superior." (Luc Ferry)
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terça-feira, 18 de setembro de 2012
Ontologias e seus espaços de aplicação
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domingo, 22 de maio de 2011
O computador
Meu amigo, queria lhe pedir: tenha paciência com o computador.
Como todo artefato - objeto não natural - ele é também uma projeção do nosso ser.
Nós nos projetamos neles e eles nos projetam a nós mesmos, de volta. E isso é importante porque permite entendermo-nos melhor, por meio daquilo que é a nossa criação.
Perceba como a cadeira tem sua ergonomia própria, adaptando-se ao nosso corpo, que é o que é, que dobra do jeito que dobra.
Como todo artefato - objeto não natural - ele é também uma projeção do nosso ser.
Nós nos projetamos neles e eles nos projetam a nós mesmos, de volta. E isso é importante porque permite entendermo-nos melhor, por meio daquilo que é a nossa criação.
Perceba como a cadeira tem sua ergonomia própria, adaptando-se ao nosso corpo, que é o que é, que dobra do jeito que dobra.
O que ele, o computador, tem de especial em relação aos outros artefatos?
Como todos os outros, ele nos retorna a nós mesmos, como que um espelho; mas ele o faz melhor que todos os outros, e mais profundamente.Não é agradável pensar que ele nos liberta de todo trabalho repetitivo, para dedicarmo-nos ao desenvolvimento de nosso espírito, nossa criatividade, nosso destino?
Digo-lhe que o que me tira do sério, em minha vida, é ter que fazer, eu próprio, o que ele pode fazer por mim.Nessa consideração eu encontro boa parte, ou talvez todo o meu interesse pessoal pela informática: com a ajuda do computador somos capazes de automatizar o que há de repetitivo em nossas tarefas, bem como os processos repetitivos e burocráticos de nossas organizações.
Assim podemos nos libertar deles, e de sua opressão "tarefeira". Dessa forma, se utilizado com sabedoria, o computador nos torna mais produtivos, nos liberta e nos potencializa para criar; ainda mais, ainda melhor.
Sem sabedoria, contudo, não são mais do que verdadeiras armas a nos desumanizar.
A CIÊNCIA, a ciência, a ciência...
Ah, como tudo é nulo e vão!
A pobreza da inteligência
Ante a riqueza da emoção!
(…)
A ciência! Como é pobre e nada!
Rico é o que alma dá e tem.
Fernando Pessoa
Ah, como tudo é nulo e vão!
A pobreza da inteligência
Ante a riqueza da emoção!
(…)
A ciência! Como é pobre e nada!
Rico é o que alma dá e tem.
Fernando Pessoa
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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Ontologias informacionais
Inspirado de Tom Gruber
na Enciclopédia de Sistemas de Banco de Dados, Ling Liu e M. Tamer Özsu (Eds.), Springer-Verlag, 2009.
DEFINIÇÃO
No contexto das ciências da informação e da computação, uma ontologia define um conjunto de primitivas de representação para modelar um domínio de conhecimento ou de discurso. As primitivas são tipicamente classes (ou conjuntos), atributos (ou propriedades), e relações (ou relações entre membros de classes). As definições das primitivas incluem a descrição textual de seus significados, mas também várias restrições à sua aplicação de forma logicamente coerente.
No contexto dos sistemas de banco de dados, as ontologias podem ser vistas como representando um nível de abstração acima dos modelos de dados (hierárquico ou relacional), mas destinada a modelagem do conhecimento sobre os indivíduos representados no sistema, seus atributos e suas relações com outros indivíduos.
Ontologias são tipicamente especificadas em linguagens que permitem abstrair estruturas de dados e estratégias de implementação. Na prática, as linguagens de ontologias estão mais próximas do poder expressivo da lógica de primeira ordem do que as linguagens utilizadas para modelar bancos de dados.
Por esta razão, as ontologias estariam em um nível dito "semântico", enquanto os modelos ou esquemas de dados pertenceriam ao nível "lógico", logo acima do nível "físico" (que é como os dados estão organizados fisicamente).
Devido à sua independência de modelos de dados de níveis mais baixos, as ontologias são usadas para integrar bancos de dados heterogêneos, permitindo a interoperabilidade entre sistemas distintos, e a especificação de interfaces para serviços baseados em conhecimento independentes.
Na pilha de tecnologias da Web Semântica [1], as ontologias são localizadas em uma camada explícita de alto nível. Existem hoje várias linguagens e ferramentas de código aberto (open source) e comerciais para criar e trabalhar com ontologias.
Vejamos um histórico sobre Ontologias Informacionais.
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