mas só o coração iluminando a razão e a razão conduzindo o coração, podem nos trazer alguma sabedoria... ilusão de filósofo.
Minha questão é saber como o ser humano pode viver melhor, e isso só a filosofia é capaz de responder...
"Como os gregos, nós hoje achamos que uma vida mortal bem-sucedida é melhor que ter uma imortalidade fracassada, uma vida infinita e sem sentido. Buscamos uma vida boa para quem aceita lucidamente a morte sem a ajuda de uma força superior." (Luc Ferry)
"Como os gregos, nós hoje achamos que uma vida mortal bem-sucedida é melhor que ter uma imortalidade fracassada, uma vida infinita e sem sentido. Buscamos uma vida boa para quem aceita lucidamente a morte sem a ajuda de uma força superior." (Luc Ferry)
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Os filhotes da ditadura
Sobre O Globo, interessante artigo de Emir Sader.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
O que é ter sucesso?
Em uma lista de discussão falávamos a respeito do que seria "ter sucesso".
Gostei do texto que reproduzo abaixo, de autoria do Hugo Nogueira. Acho que ele diz o essencial de forma simples. Além disso, o texto me fez lembrar da canção Un Homme Heureux, de William Sheller (video).
"Um executivo que passa a maior parte do dia estressado, lutando para ganhar mais, para pagar bugigangas mais caras, que deixa de lado as raízes e a família e que não vê nenhum outro futuro, exceto a perpetuação dos problemas que já tem, pode ser extremamente mal sucedido. Viciado em endorfinas --- que o corpo produz em algumas situações, entre as quais as de estresse -- tal pessoa nunca está feliz, embora possa estar alegre todo o tempo, mascarando a infelicidade. E, confundindo alegria e êxtase com felicidade, vira um verdadeiro perdigueiro em busca de situações que gerem mais e mais endorfinas...
Por outro lado, um homem bem sucedido pode ser aquele que tem somente uma cabana e uma jangada para pescar, mas que encontra realização naquilo que faz, felicidade pelos anos, meses e dias que vive e que sente que tem raízes, um passado e um futuro. Que tem amor e dá amor. Que baliza suas sensações por relacionamentos ricos, não produtos caros.
Claro que há muitos jangadeiros mal sucedidos e muitos executivos bem sucedidos. Este é o ponto importante: não importa o que você tem, mas quem você é. Por isso há milionários felizes e bem sucedidos, e milionários infelizes e mal sucedidos; por isso há jangadeiros felizes e bem sucedidos e jangadeiros infelizes e mal sucedidos. Não são as posses de uma pessoa que definem seu sucesso, mas o que estas pessoas são.
Os comerciais de televisão, e os anúncios sofisticados nas revistas, tentam convencer milhões de pessoas (e conseguem) de que a felicidade está atrelada ao novo carro, computador, casa, celular, vestido... ou o que quer que seja. Aqueles que acreditam nisso, se tornam escravos da ansiedade, escravos dos comerciais de TV, das coleções de moda, dos lançamentos automotivos. E, como um traficante que oferece cada vez mais drogas, e mais fortes, os mesmos comerciais parecem nunca oferecer a tralha definitiva. Tudo é descartável no próximo lançamento -- de brinquedos à jatos comerciais.
Sucesso é aquilo que você é, não aquilo que você tem, porque tudo aquilo que você tem, pode perder amanhã. Um terremoto, um vulcão, um incêndio, uma guerra, uma quebra da bolsa de valores, uma explosão nuclear, um vírus, um acidente na estrada, um meteorito, um atropelamento,um azar... qualquer coisa pode acontecer e tirar tudo aquilo que você tem. Mas nenhuma dessas coisas pode tirar aquilo que você é.
Sucesso é um modo de ser, de pensar, de agir. Ser um sucesso é saber escolher a cada momento, mudar sempre naquilo que não importa, e mudar raramente naquilo que importa. Ser um sucesso é saber que a queda é parte da caminhada. Ser um sucesso é não descontar em outros as agressões recebidas. Ser um sucesso é ver-se como dono da sua vontade, escolhendo o que você diz, escolhendo o que você vai deixar para trás, escolhendo os seus compromissos.
Pode ser que você seja um grande sucesso, sem dinheiro, sem posses e sem tralhas.
Pode ser que você seja um grande sucesso com dinheiro, com posses e com tralhas.
No fundo, as pessoas bem sucedidas sabem que não importa o que você tem, mas quem você é. Por isso, pessoas bem sucedidas são muito mais atraentes, muito mais interessantes e têm muito mais conteúdo. Você sabe que as pessoas bem sucedidas são como taças de cristal. Você as reconhece. Diferentes das pessoas mal sucedidas (ricas ou pobres), que mais parecem copos plásticos amassados, até quando estão cobertas de jóias.
Da próxima vez que você sentir vontade em dizer que alguém é bem sucedido, ou mal sucedido, verifique se você está fazendo uma avaliação do que a pessoa é ou somente do cargo, dinheiro e produtos que ela possui.
Da próxima vez que você sentir vontade em avaliar se aquela pessoa no espelho é bem sucedida, verifique se você está fazendo uma avaliação do que a pessoa no espelho é, ou somente do cargo, dinheiro e produtos que ela possui."
Hugo Nogueira
Gestor de Tecnologia e Informação
Masterhouse Soluções em Tecnologia
Gostei do texto que reproduzo abaixo, de autoria do Hugo Nogueira. Acho que ele diz o essencial de forma simples. Além disso, o texto me fez lembrar da canção Un Homme Heureux, de William Sheller (video).
"Um executivo que passa a maior parte do dia estressado, lutando para ganhar mais, para pagar bugigangas mais caras, que deixa de lado as raízes e a família e que não vê nenhum outro futuro, exceto a perpetuação dos problemas que já tem, pode ser extremamente mal sucedido. Viciado em endorfinas --- que o corpo produz em algumas situações, entre as quais as de estresse -- tal pessoa nunca está feliz, embora possa estar alegre todo o tempo, mascarando a infelicidade. E, confundindo alegria e êxtase com felicidade, vira um verdadeiro perdigueiro em busca de situações que gerem mais e mais endorfinas...
Claro que há muitos jangadeiros mal sucedidos e muitos executivos bem sucedidos. Este é o ponto importante: não importa o que você tem, mas quem você é. Por isso há milionários felizes e bem sucedidos, e milionários infelizes e mal sucedidos; por isso há jangadeiros felizes e bem sucedidos e jangadeiros infelizes e mal sucedidos. Não são as posses de uma pessoa que definem seu sucesso, mas o que estas pessoas são.
Os comerciais de televisão, e os anúncios sofisticados nas revistas, tentam convencer milhões de pessoas (e conseguem) de que a felicidade está atrelada ao novo carro, computador, casa, celular, vestido... ou o que quer que seja. Aqueles que acreditam nisso, se tornam escravos da ansiedade, escravos dos comerciais de TV, das coleções de moda, dos lançamentos automotivos. E, como um traficante que oferece cada vez mais drogas, e mais fortes, os mesmos comerciais parecem nunca oferecer a tralha definitiva. Tudo é descartável no próximo lançamento -- de brinquedos à jatos comerciais.
Sucesso é aquilo que você é, não aquilo que você tem, porque tudo aquilo que você tem, pode perder amanhã. Um terremoto, um vulcão, um incêndio, uma guerra, uma quebra da bolsa de valores, uma explosão nuclear, um vírus, um acidente na estrada, um meteorito, um atropelamento,um azar... qualquer coisa pode acontecer e tirar tudo aquilo que você tem. Mas nenhuma dessas coisas pode tirar aquilo que você é.
Sucesso é um modo de ser, de pensar, de agir. Ser um sucesso é saber escolher a cada momento, mudar sempre naquilo que não importa, e mudar raramente naquilo que importa. Ser um sucesso é saber que a queda é parte da caminhada. Ser um sucesso é não descontar em outros as agressões recebidas. Ser um sucesso é ver-se como dono da sua vontade, escolhendo o que você diz, escolhendo o que você vai deixar para trás, escolhendo os seus compromissos.
Pode ser que você seja um grande sucesso, sem dinheiro, sem posses e sem tralhas.
Pode ser que você seja um grande sucesso com dinheiro, com posses e com tralhas.
No fundo, as pessoas bem sucedidas sabem que não importa o que você tem, mas quem você é. Por isso, pessoas bem sucedidas são muito mais atraentes, muito mais interessantes e têm muito mais conteúdo. Você sabe que as pessoas bem sucedidas são como taças de cristal. Você as reconhece. Diferentes das pessoas mal sucedidas (ricas ou pobres), que mais parecem copos plásticos amassados, até quando estão cobertas de jóias.
Da próxima vez que você sentir vontade em dizer que alguém é bem sucedido, ou mal sucedido, verifique se você está fazendo uma avaliação do que a pessoa é ou somente do cargo, dinheiro e produtos que ela possui.
Da próxima vez que você sentir vontade em avaliar se aquela pessoa no espelho é bem sucedida, verifique se você está fazendo uma avaliação do que a pessoa no espelho é, ou somente do cargo, dinheiro e produtos que ela possui."
Hugo Nogueira
Gestor de Tecnologia e Informação
Masterhouse Soluções em Tecnologia
terça-feira, 30 de março de 2010
O capitalismo é moral?
Comentando o livro onde o filósofo André Comte-Sponville adverte para o perigo de transformar o mercado em religião, Oscar Pilagallo, editor da revista EntreLivros se expressa assim: "Há muita conversa, hoje em dia, sobre responsabilidade social da empresa, sobre ética empresarial, sobre moral no mundo dos negócios. O que significa isso? Numa palavra: marketing."
Segundo Sponville o capitalismo não é moral nem imoral, é amoral: “Não contem com o mercado para ser moral no lugar de vocês”, avisa. “Um sistema econômico é feito para criar riqueza. (…) O erro seria crer que baste a riqueza para fazer uma civilização ou mesmo uma sociedade humanamente aceitável. É por isso que necessitamos também do direito e da política… Não peçamos à economia para fazer as vezes deles!” Seria “a mais ridícula das tiranias, a da riqueza”, completa Comte-Sponville. Concordo com Marcelo Coelho, colunista da Folha, que é nessa menção ao ridículo e à tirania que se concentra o aspecto mais interessante do livro. O autor propõe, inspirando-se de Pascal, uma nova definição do conceito de barbárie e de seu oposto simétrico, o angelismo. Confundem-se, diz ele, ordens de natureza distinta: não se avalia a economia com os instrumentos da moral nem vice-versa.
Para o autor, lido por Oscar Pilagallo, "num momento em que a defesa da moral empresarial virou um negócio lucrativo é oportuno desconfiar do discurso que tenta camuflar o real propósito do capitalismo: gerar lucro". Faz sentido, pois não parece ser a moral que determina os preços, é a lei da oferta e da procura (quem se lembra do ridículo dos fiscais do Sarney nos anos 80?); não é a virtude que cria o valor econômico, mas sim o trabalho. Pergunta-se então: "mas a empresa não deve gerar emprego? Sim, mas só se o empregado gerar valor maior que seu salário (a mais-valia descrita por Marx). E o cliente não deve ser satisfeito? Sim, mas não é para satisfazer o cliente que se quer satisfazer o dono da empresa, o acionista; é o contrário: é para satisfazer o acionista que se quer satisfazer o cliente."
O texto deixa claro: "O capitalismo é antipático. Enriqueça. Seja egoísta. Aja segundo seus interesses. Se cada um cuidar de si, a sociedade progride economicamente. Essa é a lógica do capitalismo. Cruel e perversa. A realidade é que apenas reflete a natureza humana. Essa é a origem de sua eficácia, relativamente superior à do comunismo, tal como foi experimentado no século passado."
Um ponto alto do texto é a explicação de é o comunismo, esse sim, que tem a ver com moral, pelo menos em sua concepção. Para o comunismo triunfar seria necessário que as pessoas deixassem de ser egoístas e pusessem o interesse geral acima do interesse particular. Como isso não acontece voluntariamente, recorreu-se à coerção. O totalitarismo não seria, portanto, apenas um desvio de rota. "É assim que se passa da bela utopia marxista, no século XIX, ao horror totalitário que todos conhecem, no século XX", escreve Comte-Sponville. "O erro simpático e nefasto de Marx foi o de querer erigir a moral em economia."
O filósofo, que flertou com o comunismo na juventude dos anos 60, fala da perspectiva de um liberal de esquerda, como se define. Ele explica o que entende por isso: "Os liberais de esquerda são os que constatam o fracasso do marxismo, sem renunciar com isso a agir pela justiça (inclusive a justiça social) e pela liberdade (inclusive a liberdade econômica)".
Para Comte-Sponville, a moral numa sociedade capitalista deve ser procurada fora da esfera econômica. "Querer fazer do capitalismo uma moral seria fazer do mercado uma religião e da empresa, um ídolo. Se o mercado virasse uma religião, seria a pior de todas, a do bezerro de ouro. E a mais ridícula das tiranias, a da riqueza." Eis o perigo oculto do marketing da moral.
Segundo Sponville o capitalismo não é moral nem imoral, é amoral: “Não contem com o mercado para ser moral no lugar de vocês”, avisa. “Um sistema econômico é feito para criar riqueza. (…) O erro seria crer que baste a riqueza para fazer uma civilização ou mesmo uma sociedade humanamente aceitável. É por isso que necessitamos também do direito e da política… Não peçamos à economia para fazer as vezes deles!” Seria “a mais ridícula das tiranias, a da riqueza”, completa Comte-Sponville. Concordo com Marcelo Coelho, colunista da Folha, que é nessa menção ao ridículo e à tirania que se concentra o aspecto mais interessante do livro. O autor propõe, inspirando-se de Pascal, uma nova definição do conceito de barbárie e de seu oposto simétrico, o angelismo. Confundem-se, diz ele, ordens de natureza distinta: não se avalia a economia com os instrumentos da moral nem vice-versa.
Para o autor, lido por Oscar Pilagallo, "num momento em que a defesa da moral empresarial virou um negócio lucrativo é oportuno desconfiar do discurso que tenta camuflar o real propósito do capitalismo: gerar lucro". Faz sentido, pois não parece ser a moral que determina os preços, é a lei da oferta e da procura (quem se lembra do ridículo dos fiscais do Sarney nos anos 80?); não é a virtude que cria o valor econômico, mas sim o trabalho. Pergunta-se então: "mas a empresa não deve gerar emprego? Sim, mas só se o empregado gerar valor maior que seu salário (a mais-valia descrita por Marx). E o cliente não deve ser satisfeito? Sim, mas não é para satisfazer o cliente que se quer satisfazer o dono da empresa, o acionista; é o contrário: é para satisfazer o acionista que se quer satisfazer o cliente."
O texto deixa claro: "O capitalismo é antipático. Enriqueça. Seja egoísta. Aja segundo seus interesses. Se cada um cuidar de si, a sociedade progride economicamente. Essa é a lógica do capitalismo. Cruel e perversa. A realidade é que apenas reflete a natureza humana. Essa é a origem de sua eficácia, relativamente superior à do comunismo, tal como foi experimentado no século passado."
Um ponto alto do texto é a explicação de é o comunismo, esse sim, que tem a ver com moral, pelo menos em sua concepção. Para o comunismo triunfar seria necessário que as pessoas deixassem de ser egoístas e pusessem o interesse geral acima do interesse particular. Como isso não acontece voluntariamente, recorreu-se à coerção. O totalitarismo não seria, portanto, apenas um desvio de rota. "É assim que se passa da bela utopia marxista, no século XIX, ao horror totalitário que todos conhecem, no século XX", escreve Comte-Sponville. "O erro simpático e nefasto de Marx foi o de querer erigir a moral em economia."
O filósofo, que flertou com o comunismo na juventude dos anos 60, fala da perspectiva de um liberal de esquerda, como se define. Ele explica o que entende por isso: "Os liberais de esquerda são os que constatam o fracasso do marxismo, sem renunciar com isso a agir pela justiça (inclusive a justiça social) e pela liberdade (inclusive a liberdade econômica)".
Para Comte-Sponville, a moral numa sociedade capitalista deve ser procurada fora da esfera econômica. "Querer fazer do capitalismo uma moral seria fazer do mercado uma religião e da empresa, um ídolo. Se o mercado virasse uma religião, seria a pior de todas, a do bezerro de ouro. E a mais ridícula das tiranias, a da riqueza." Eis o perigo oculto do marketing da moral.
quarta-feira, 10 de março de 2010
A medicina na era da informação
Livro “A medicina na era da informação”, publicado pela Editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA), e organizado pelos professores Zeny Duarte e Lúcio Farias, a partir do Colóquio Internacional A Medicina na Era da Informação (Medinfor), que ocorreu em 2008.
Segundo, Editora da Universidade Federal da Bahia UFBA, o livro marca o processo dialógico entre duas áreas de grande significado social, a medicina e a ciência da informação. Ambas se ocupam de importantes desafios científicos, a primeira voltada à luta pela saúde e bem-estar social, e a segunda à sustentabilidade do desenvolvimento da ciência e da cultura, por meio da preservação, organização, disseminação, acesso e uso da informação.
Segundo, Editora da Universidade Federal da Bahia UFBA, o livro marca o processo dialógico entre duas áreas de grande significado social, a medicina e a ciência da informação. Ambas se ocupam de importantes desafios científicos, a primeira voltada à luta pela saúde e bem-estar social, e a segunda à sustentabilidade do desenvolvimento da ciência e da cultura, por meio da preservação, organização, disseminação, acesso e uso da informação.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Feliz de ver o Plone se tornando tão importante para a gestão da informação no Brasil
Plone é uma das mais conhecidas ferramentas de gestão de conteúdo. Desenvolvido em software livre desde 2000 é baseado na plataforma python/zope e constitui uma importante base tecnológica para iniciativas pragmáticas de gestão de conhecimento nas organizações. Com o Plone pode-se desenvolver portais corporativos e também portais de internet. Meu site pessoal: www.bax.com.br usa Plone.
Como eu sempre apostei nessa tecnologia, principalmente por seguir de maneira rigorosa a filosofia do software livre, fico feliz de ver o Plone sendo reconhecido no Brasil. Selecionei abaixo três notícias sobre o lançamento do portal.gov.br em tecnologia python/zope/plone. A notícia dada pelo Baguete é a mais completa e informa sobre o valor do projeto no primeiro ano (11 milhões) e também que o portal conta com 800 mil acesso diários, tendo sido desenvolvido por uma equipe de mais de 200 pessoas.
Como eu sempre apostei nessa tecnologia, principalmente por seguir de maneira rigorosa a filosofia do software livre, fico feliz de ver o Plone sendo reconhecido no Brasil. Selecionei abaixo três notícias sobre o lançamento do portal.gov.br em tecnologia python/zope/plone. A notícia dada pelo Baguete é a mais completa e informa sobre o valor do projeto no primeiro ano (11 milhões) e também que o portal conta com 800 mil acesso diários, tendo sido desenvolvido por uma equipe de mais de 200 pessoas.
| Governo federal reformula portal de internet iG Tecnologia A plataforma tecnológica do portal é o Plone, sistema de gerenciamento de conteúdo desenvolvido em regime de código aberto. |
| Portal Brasil: R$ 11 mi na reformulação Baguete O novo portal utiliza o Plone, CMS de código aberto que é utilizado por empresas como eBay e Motorola, além do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, ... |
| Portal Brasil se reformula para atrair cidadão e projetar País PC World O site, que tem como base a ferramenta de código-aberto Zope Plone, também foi desenvolvido para portadores de deficiência física. ... |
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Dado, informação, conhecimento e sabedoria.
Em quê contribui a TI (Tecnologia da Informação) para o desenvolvimento de uma espiritualidade necessária à própria reflexão acerca de sua evolução? ou à ética de seu uso?
Me parece que o homem quebrará, neste século ainda, outros limites do imaginável em seu processo de criação. Porém, os horrores do século passado deixaram mais do que claro que a razão pura, ciência/tecnologia, não basta; precisamos aprofundar e fazer evoluir cada vez mais a razão prática, os valores. Mas como esta última pode evoluir? Qual é o papel da ciência e da tecnologia nessa evolução? se é que possa existir algum, já que parece impossível passar do conhecimento descritivo ao normativo. Da ciência à ética.
É possível lançar pontes para além do conhecimento, alcançando algum grau de sabedoria? A tecnologia pode nos ajudar nisso, como?
Em filosofia a pergunta (clássica) seria: "é possível passar da descrição ao valor?" e, classicamente, a resposta da filosofia a esta pergunta é, em geral, negativa: não há como explicar o surgimento de valores a partir apenas da descrição de processos naturais (da ciência), mesmo que apoiados na mais avançada tecnologia. Porém, em filosofia raramente (nunca) existe consenso. Sam Harris é um nome a contestar a negatividade desta resposta.
Distante do racionalista Sam Harris mas na mesma sintonia de pensamento, o místico Pierrre Weil denominou "Mutantes"[1] as pessoas que experimentam e vivem valor e verdade como uma coisa só. Nesse livro ele discute as etapas evolutivas da consciência humana, dividindo o processo de hominização em três fases. Num extremo está o ser Estagnante, no outro o ser Iluminado. No meio, entre esses dois extremos, está o ser Mutante. O ser mutante seria como uma ponte para um novo paradigma existencial (cf. o conceito de hominescência de M. Serres), onde desapareceria totalmente a ilusão metafísica das separações ser/mundo, sujeito/objeto, valor/verdade etc. e suas consequências (nefastas?) para o homem. Caminha-se então na trilha que vai do pensamento metafísico para o dialético ou pragmatista (de Kant para Dewey[2]).
Distante do racionalista Sam Harris mas na mesma sintonia de pensamento, o místico Pierrre Weil denominou "Mutantes"[1] as pessoas que experimentam e vivem valor e verdade como uma coisa só. Nesse livro ele discute as etapas evolutivas da consciência humana, dividindo o processo de hominização em três fases. Num extremo está o ser Estagnante, no outro o ser Iluminado. No meio, entre esses dois extremos, está o ser Mutante. O ser mutante seria como uma ponte para um novo paradigma existencial (cf. o conceito de hominescência de M. Serres), onde desapareceria totalmente a ilusão metafísica das separações ser/mundo, sujeito/objeto, valor/verdade etc. e suas consequências (nefastas?) para o homem. Caminha-se então na trilha que vai do pensamento metafísico para o dialético ou pragmatista (de Kant para Dewey[2]).
De toda forma, voltando ao cerne desse post, na disciplina Sistemas de Informação, quando buscamos entender a natureza da relação que o homem constrói com suas máquinas, e consigo mesmo através delas, o conceito de Pirâmide Informacional é recorrente. Trata-se de uma complexa hierarquia, ou pirâmide, que relaciona os fenômenos dado, informação, conhecimento (explícito e passível de representação; ou tácito, i.e., empírico, advindo da experiência e de difícil representação) e sabedoria.
Esses fenômenos formam um todo. São dificilmente separáveis uns dos outros, mas podem ser distinguidos por nossa inteligência analítica. Tais fenômenos são todos interessantes, objetos de estudos aprofundados de uma nascente disciplina, a Filosofia da Informação (vide L. Floridi).
Quero, neste post, me ater a apenas um deles, a Sabedoria. Como definição do termo, esta me parece razoável: sabedoria seria o "máximo grau de lucidez, presente no máximo grau de felicidade" (C. Sponville). Somos capazes de experimentar algo assim? Estaria a humanidade, em sua evolução, trilhando esse percurso? Seria possível alcançar uma sabedoria que nos salve da auto-destruição, da aplicação da tecnologia sem preocupação ou reflexão ética?
Esses fenômenos formam um todo. São dificilmente separáveis uns dos outros, mas podem ser distinguidos por nossa inteligência analítica. Tais fenômenos são todos interessantes, objetos de estudos aprofundados de uma nascente disciplina, a Filosofia da Informação (vide L. Floridi).
Quero, neste post, me ater a apenas um deles, a Sabedoria. Como definição do termo, esta me parece razoável: sabedoria seria o "máximo grau de lucidez, presente no máximo grau de felicidade" (C. Sponville). Somos capazes de experimentar algo assim? Estaria a humanidade, em sua evolução, trilhando esse percurso? Seria possível alcançar uma sabedoria que nos salve da auto-destruição, da aplicação da tecnologia sem preocupação ou reflexão ética?
Alguns filósofos disseram, e outros ainda dizem, que somos capazes disso, e sem cair no obscurantismo. Precisaríamos, contudo, para alcançar a sabedoria, desenvolver no caminho uma certa espiritualidade. Espiritualidade que pode até prescindir da religião, mas dificilmente poderia prescindir da comunhão em determinados valores. Leio que precisaríamos aprender mais sobre o Amor, e assim aprendermos a amar mais e a amar melhor. "Ciência é conhecimento organizado, sabedoria é vida organizada" (I. Kant). E é preciso ir além da experiência já que "esta não nos ensina sobre as essências das coisas" (B. Espinoza, em dito racionalista).
Comte-Sponville, filósofo francês contemporâneo, vai mais longe ao recusar o auxílio de qualquer religião, e diz em um de seus livros: "O Século XXI será o de uma espiritualidade laica ou não será nada". Ele exagera?
Embora a religião, baseada que está na esperança, possa atrapalhar o desenvolvimento de uma espiritualidade focada mais fortemente no amor e na fidelidade (e não na fé e na esperança), muitos ainda encontram nela o locus de possibilidade único para o desenvolvimento de qualquer vida espiritual. Ou daquilo que normalmente em sociedade nomeia-se 'vida espiritual'.
Acompanhando o pensamento de Sponville, uma espiritualidade laica não se fundamenta na esperança, que teima em nos desviar a vida do momento presente. Deve-se esperar por uma outra vida que não esta, prendendo-se ao passado ou ao futuro, mas não no presente, no agora. Esperar aquilo que não depende de si? qual o sentido? Mas daquilo que depende de si, para que esperar? o melhor seria agir. Fé ou fidelidade? Se o reino é para ser experimentado aqui e agora, para que ter fé?
A religião ocidental possui uma concepção acerca da eternidade que pode estar enganada. Uma eternidade como tempo linear, que não acaba... Outra concepção poderia ser a de eternidade como ausência do tempo. Apenas o presente existiria. O presente que se mantém presente. Pode-se pensar: "no agora, o passado não existe mais, e o futuro ainda não existe". Resta então apenas o momento presente, com a memória presente do passado e com os projetos que virão no futuro, apenas os que dependem de mim.
Mas é caminho difícil. Na maior parte das vezes em que estamos conscientes nos pegamos presos ao futuro, a esperar o que não depende de nós; ou presos ao passado, porque não conseguimos resolver nossas contas com ele (arrependidos, frustrados).
Embora a religião, baseada que está na esperança, possa atrapalhar o desenvolvimento de uma espiritualidade focada mais fortemente no amor e na fidelidade (e não na fé e na esperança), muitos ainda encontram nela o locus de possibilidade único para o desenvolvimento de qualquer vida espiritual. Ou daquilo que normalmente em sociedade nomeia-se 'vida espiritual'.
Acompanhando o pensamento de Sponville, uma espiritualidade laica não se fundamenta na esperança, que teima em nos desviar a vida do momento presente. Deve-se esperar por uma outra vida que não esta, prendendo-se ao passado ou ao futuro, mas não no presente, no agora. Esperar aquilo que não depende de si? qual o sentido? Mas daquilo que depende de si, para que esperar? o melhor seria agir. Fé ou fidelidade? Se o reino é para ser experimentado aqui e agora, para que ter fé?
A religião ocidental possui uma concepção acerca da eternidade que pode estar enganada. Uma eternidade como tempo linear, que não acaba... Outra concepção poderia ser a de eternidade como ausência do tempo. Apenas o presente existiria. O presente que se mantém presente. Pode-se pensar: "no agora, o passado não existe mais, e o futuro ainda não existe". Resta então apenas o momento presente, com a memória presente do passado e com os projetos que virão no futuro, apenas os que dependem de mim.
Mas é caminho difícil. Na maior parte das vezes em que estamos conscientes nos pegamos presos ao futuro, a esperar o que não depende de nós; ou presos ao passado, porque não conseguimos resolver nossas contas com ele (arrependidos, frustrados).
Dados > informação > conhecimento > ..., sim, mas parece haver um hiato aqui, separando a sabedoria dos outros anteriores. Com efeito, as sociedades mais "bem resolvidas" sob o ponto de vista tecnológico e científico não parecem entretanto mais felizes, além de um limite constante. Pelo jeito, depois de termos conquistado tudo em nossas vidas, não nos sentimos mais felizes por isso.
Mas mesmo assim, esse poderia ser o destino do ser humano, uma evolução em direção à sabedoria? (cf. F. Hegel) Mesmo que seja possível, uma coisa parece clara: se nesse percurso ou evolução, que passa também por uma natural e forte humanização da tecnologia (i.e. sua apropriação definitiva pela Cultura), pararmos no patamar ou nível do conhecimento, e se esse patamar nos bastar, então talvez não sobrevivamos mesmo ao Século XXI. Não desenvolveremos nossa dimensão espiritual prática. Daí a premência da ética na ciência hoje, mas de uma ética não-Platônica. Uma ética desmstificada, que desafie a tradição das religiões monoteistas.
Mas mesmo assim, esse poderia ser o destino do ser humano, uma evolução em direção à sabedoria? (cf. F. Hegel) Mesmo que seja possível, uma coisa parece clara: se nesse percurso ou evolução, que passa também por uma natural e forte humanização da tecnologia (i.e. sua apropriação definitiva pela Cultura), pararmos no patamar ou nível do conhecimento, e se esse patamar nos bastar, então talvez não sobrevivamos mesmo ao Século XXI. Não desenvolveremos nossa dimensão espiritual prática. Daí a premência da ética na ciência hoje, mas de uma ética não-Platônica. Uma ética desmstificada, que desafie a tradição das religiões monoteistas.
Como Sponville, também acredito que é preciso encontrar uma espiritualidade sem dogmas, laica. Paradoxalmente, a igreja pode nos abrir ou fechar para a espiritualidade. A espiritualidade nada mais é do que a vida do espírito em nós, ou seja a experiência da consciência em nós. É a relação entre o finito em nós e o infinito do universo, do temporal em nós com o eterno (ou atemporal). Se, por acaso, nos sentirmos fechados por dogmas, devemos nos libertar. Nos libertar dos conceitos incutidos muitas vezes pela igreja ou pela tradição. Infelizmente, em sua maior parte, essas tendem a verbalizar ideologicamente a mensagem de Cristo.
Com efeito, parece premente hoje buscarmos uma espiritualidade que nos previna, tanto contra o fanatismo quanto contra o niilismo, mas que não nos jogue no obscurantismo. No post Falando de Amor escolhi, para me instruir sobre o tema do Amor, as ideias de Sponville que versam sobre a história contada no livro Banquete de Platão - ou, "a propósito do Amor".
Segundo guias espirituais, como o contemporâneo Eckhart Tolle, a passagem do nível do conhecimento para o nível da sabedoria na pirâmide informacional, requer forte trabalho sobre o ego. Com efeito, parece que o ego nos impede de viver o "agora". Nos aprisiona no passado ou nos ilude com expectativas ou esperanças futuras. Porém, como podemos nos relacionar adequadamente com o outro sem um ego minimamente maduro. Nem o ódio nem o louvor ao ego, portanto.
Buscando subir na pirâmide e alcançar algum grau de sabedoria, parece que o conhecimento não é mais suficiente ou pouco importa. Muito menos a informação ou menos ainda o dado (parece haver um fosso que os separa da sabedoria). Além de um determinado limite, os nossos problemas individuais ou coletivos não parecem poder ser resolvidos com mais reflexão, mais racionalidade, com mais pensamento ou pensando mais fortemente (no sentido de um subjetivismo cartesiano, ou do racionalismo).
Talvez, na maior parte dos casos isso possa até atrapalhar, pois o mistério mais profundo do Ser não nos é dado conhecer, mas apenas sentir, experimentar (caberia reflexão sobre como a filosofia de Merleau-Ponty, fenomenologia da percepção, que pode ser útil aqui). Nesse sentido, pode-se citar Inácio de Loyola quando diz: "Não é o muito saber que sacia e satisfaz a alma, mas o sentir, experimentar e saborear todas as coisas internamente".
Buscando subir na pirâmide e alcançar algum grau de sabedoria, parece que o conhecimento não é mais suficiente ou pouco importa. Muito menos a informação ou menos ainda o dado (parece haver um fosso que os separa da sabedoria). Além de um determinado limite, os nossos problemas individuais ou coletivos não parecem poder ser resolvidos com mais reflexão, mais racionalidade, com mais pensamento ou pensando mais fortemente (no sentido de um subjetivismo cartesiano, ou do racionalismo).
Talvez, na maior parte dos casos isso possa até atrapalhar, pois o mistério mais profundo do Ser não nos é dado conhecer, mas apenas sentir, experimentar (caberia reflexão sobre como a filosofia de Merleau-Ponty, fenomenologia da percepção, que pode ser útil aqui). Nesse sentido, pode-se citar Inácio de Loyola quando diz: "Não é o muito saber que sacia e satisfaz a alma, mas o sentir, experimentar e saborear todas as coisas internamente".
Um caminho? místico, racional? difícil dizer. Talvez buscando uma maior conexão com o momento presente e também com o outro (pessoa humana), possamos trazer alguma "energia cósmica" inerente à vida que possa nos ajudar. Uma sensação mística que às vezes, embora raramente, nos ocorre de ligação com o Todo; de que somos parte de um Todo muito maior do que nosso corpo ou nossa insignificante personalidade (experiência de unidade). O exercício de manter nossa consciência mais alerta, mais presente, mais atenta ao momento presente, me parece também um caminho (experiência de simplicidade).
Talvez essas experiências possam ser desenvolvidas a partir de um melhor entendimento acerca do papel do amor em nossa existência. Coração e razão não são duas coisas diferentes, mas formam um todo (que na modernidade Kant separou em suas obras críticas). Sente-se que é o coração que abre o Ser à razão, ao entendimento. A razão seria a guia, mas o amor é o motor, vem primeiro.
Talvez essas experiências possam ser desenvolvidas a partir de um melhor entendimento acerca do papel do amor em nossa existência. Coração e razão não são duas coisas diferentes, mas formam um todo (que na modernidade Kant separou em suas obras críticas). Sente-se que é o coração que abre o Ser à razão, ao entendimento. A razão seria a guia, mas o amor é o motor, vem primeiro.
Talvez assim, não somente seremos capazes de atingir algum grau de sabedoria, como comporemos o conjunto, cada vez mais numeroso, de seres conscientes de que são dotados da energia positiva e criadora de vida no universo (seres Mutantes).
Mas, voltando ao início, em que contribui a TI para o desenvolvimento de uma espiritualidade necessária à própria reflexão sobre sua evolução e nossa evolução?
Alguns elementos para responder poderiam ser: imaginar como a Internet e a Web quebram os limites do tempo/espaço, e ideias (memes) iluminadas, de pessoas mais sábias, de raciocínio claro, passam a ter divulgação universal e imediata.
Na medida em que a Web vai ficando mais e mais semântica, não apenas essas ideias estão à disposição, como estão relacionadas entre si formando estruturas, grafos de conhecimento. Nesses novos sistemas de conhecimento, as ideias competem entre si, já que todas as ideias são imediatamente relacionadas pelos mecanismos de navegação, busca e recuperação de informação cada vez mais poderosos.
Claro que o mal está também presente entre nós. Antes de nascer, ainda no ventre de nossa mãe fazemos parte do Todo. Ao nascer somos separados desse todo, ganhamos aos poucos uma consciência. Com esse movimento nos tornamos então expostos ao mal, assim como ao bem. Pecar seria escolher o mal. É porque o mal existe, em cada um de nós, que precisamos nos esforçar e participar da construção do bem. Abracemos a glória e não a miséria humana em nós (B. Pascal).
Precisamos espalhar e alargar a comunidade dos "Mutantes" de Pierre Weil (Universidade da Paz) e tantos outros sábios; mas este é outro assunto.
[1]Pierre Weil. “Os Mutantes – Uma Nova Humanidade para um novo milênio” (Ed. Verus).
[2]Richard Rorty. “Kant contra Dewey: a situação atual da filosofia moral” (Filosofia como Política Cultura, ed. Martins Fontes).
Mas, voltando ao início, em que contribui a TI para o desenvolvimento de uma espiritualidade necessária à própria reflexão sobre sua evolução e nossa evolução?
Alguns elementos para responder poderiam ser: imaginar como a Internet e a Web quebram os limites do tempo/espaço, e ideias (memes) iluminadas, de pessoas mais sábias, de raciocínio claro, passam a ter divulgação universal e imediata.
Na medida em que a Web vai ficando mais e mais semântica, não apenas essas ideias estão à disposição, como estão relacionadas entre si formando estruturas, grafos de conhecimento. Nesses novos sistemas de conhecimento, as ideias competem entre si, já que todas as ideias são imediatamente relacionadas pelos mecanismos de navegação, busca e recuperação de informação cada vez mais poderosos.
Claro que o mal está também presente entre nós. Antes de nascer, ainda no ventre de nossa mãe fazemos parte do Todo. Ao nascer somos separados desse todo, ganhamos aos poucos uma consciência. Com esse movimento nos tornamos então expostos ao mal, assim como ao bem. Pecar seria escolher o mal. É porque o mal existe, em cada um de nós, que precisamos nos esforçar e participar da construção do bem. Abracemos a glória e não a miséria humana em nós (B. Pascal).
Precisamos espalhar e alargar a comunidade dos "Mutantes" de Pierre Weil (Universidade da Paz) e tantos outros sábios; mas este é outro assunto.
[1]Pierre Weil. “Os Mutantes – Uma Nova Humanidade para um novo milênio” (Ed. Verus).
[2]Richard Rorty. “Kant contra Dewey: a situação atual da filosofia moral” (Filosofia como Política Cultura, ed. Martins Fontes).
O Espírito do Ateísmo de André Comte-Sponville
O próximo livro na fila de minhas leituras é esse do André Comte-Sponville: O Espírito do Ateísmo. Vejamos a dedicatória do autor (tradução minha).
"Por que estou escrevendo este livro? Basicamente, por três razões. A primeira é que por um tempo muito longo eu estive interessado em espiritualidade, e eu quis mostrar que para ateus esta espiritualidade também é importante. Em outras palavras, seria errado pensar que a espiritualidade é para os crentes. Os ateus não se importam menos do que outros. Por que eles teriam menos vida espiritual? A segunda razão é que eu queria combater o regresso do fundamentalismo, do obscurantismo e do fanatismo. Terceiro motivo: Eu quis mostrar que nós podemos combater esse fanatismo sem cair no ódio anti-religioso. Eu queria mostrar que ser ateu, não é ter esse ódio da religião, ou que se trata apenas de viver diferentemente a espiritualidade. Parti do ponto de vista de que o conflito não está entre os crentes e incrédulos. O conflito está entre os espíritos livres, mentes abertas, por um lado, tolerantes, acreditem em Deus ou não, e os fanáticos dogmáticos, de outro. Para fazer isso, escrevi três capítulos. O primeiro é intitulado: "Podemos viver sem religião?". O segundo é: "Deus existe?", onde explico porque, de minha parte, eu não acredito. São os meus principais argumentos em favor do ateísmo. Finalmente, o capítulo terceiro e último responde à pergunta: qual espiritualidade para os ateus? Bem, boa leitura, adeus e até breve."
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